quarta-feira, 23 de maio de 2012

SERAPIÃO JOSÉ GOULART (1855-1923), TESTAMENTOS E INVENTÁRIOS

Eliani Vieira e Jaime Rocha


Nascido em Viamão no dia 30 de outubro de 1855, filho natural de Felisbina Flora Guimarães.Foi reconhecido, por Victorino José Goulart, como seu filho legítimo, no dia do batismo (Livro de Batismo de Viamão 12,17v). Neto paterno de  Inácio José Goulart e Maria da Conceição, ele natural de Santa Catarina e ela de Viamão e materno de Francisco Antonio da Costa Guimarães e Maria Joaquina da Conceição.
Casou ao 22 anos, em 1877, com Silvarina Ignácia da Silva, filha legítima de Ignácio Joaquim Bitencourt e Dorothéa Emília da Silva. (Livro de Casamento de Viamão 5, 67v). Tiveram 15 filhos, cujos nomes constam na relação de herdeiros do inventário de Silvarina, falecida em  11 de agosto de 1921.

Assento de batismo de Serapião José Goulart


Serapião foi um  dos maiores estancieiros da história de Viamão.  Seu pai, Victorino, o declara como  único filho e  herdeiro . No testamento ele diz que já o havia reconhecido por certidão pública em 7 de agosto de 1858, em Porto Alegre, no tabelião Farias. Dentre os bens recebidos por herança do pai, estavam três casas, 671 animais e duas cadernetas de poupança, somando um total de*** 51:706$467. Percebe-se com isso que Serapião não começou sua fortuna do zero, ele contou com um bom início, deixado pelo pai. Quando Victorino faleceu , Serapião estava com 39 anos.  Ao falecer  Silvarina, sua esposa, em 11 de agosto de 1921, os bens do casal que foram  inventariados somavam   um montante avaliado em 1:000.325$600 A Serapião coube, na partilha dos bens, 500:162$800 e a cada filho 33:344.186 .
 A família Goulart era uma das mais abastadas  da região de Viamão. Muitas são as lendas, sobre Serapião, que povoam o imaginário popular, inclusive sobre os  métodos escusos, dos quais se utilizava, para aumentar sua fortuna. Mas não existem provas concretas sobre estas histórias.  Como diz o provérbio: “ Quem conta um conto,aumenta um ponto”, por isso as “lendas” que são repassadas, oralmente, de geração em geração, nem sempre condizem com a realidade, são constantemente reinventadas, tornando-se  muitas vezes maravilhosas, transformando  seus protagonistas em vilões ou heróis populares.
Serapião vem de duas famílias que se estabeleceram em Viamão, os Goulart e os Guimarães. Sua mãe Felisbina Flora Guimarães era neta do sargento-mor da coroa portuguesa, Manuel Antônio da Costa Guimarães, que fez parte do Estado maior, servindo no posto de ajudante de ordenanças na Vila de Laguna, Santa Catarina (RANGEL,1786:19), onde segundo o historiador Vinicius Oliveira Godoy, também possuía sesmaria. Por parte paterna ele era neto de Ignácio José Goulart e Maria da Conceição. O pai de Victorino  era irmão de Jacinto José Goulart, pai de Rofina Maria da Conceição que foi casada com José da Costa Guimarães, Rofina era prima de Victorino e cunhada de Felisbina.  Haviam laços de parentescos entre as famílias deles, por isso a aproximação. Mas,  apesar disso e, de terem tido um filho, Felisbina e Victorino nunca casaram.


Parte do testamento de Victorino José Goulart


Silvarina, primeira esposa de Serapião e mãe de seus filhos,  faleceu  em 11/08/1921, sem deixar testamento, seu inventário encontra-se no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul, em três volumes, pois soma-se ao dela  o de Serapião, no inventário diz que ele faleceu em 29/10/1923, com testamento, mas na Certidão de óbito, diz que foi em 30/10/1923.




 Os herdeiros, conforme os inventários, são os seguintes:

Serapião José Goulart Fº cc. América Caetano da Silva
Ignácio José Goulart cc. Afonsina Bandeira Goulart
Jose Ignácio Goulart cc. Almira Vieira Goulart
Jovino José Goulart cc. Cândida Maria de Abreu
Victorino Jose Goulart cc. Dorothea de Abreu Bittencourt
Odorico Jose Goulart cc. Anália de Abreu Ramos
Silvarina da Silva Guimarães cc. Victorino da Costa Guimarães
Benevenuta da Silva Goulart cc. João de Deus Guimarães
Maria Jose Goulart cc. João Salerno
Lydia da Silva Goulart cc. Luiz Vieira da Silva
Dorothea da Silva Goulart cc. Pompeu Vaz Ferreira
Tereza da Silva Goulart cc. Cristiano Vieira da Silva
Felisbina da Silva Guimarães cc. Narciso Jose Goulart
Rosalina da Silva Goulart, solteira, com 17 anos
Leocádio José Goulart com 16 anos







            Sendo que, foram distribuídos 3065 gados vacum ao inventariante e 80 gados vacum, 30 ovelhas, 3 éguas e 1 cavalo a cada herdeiro. À Serapião Fº, a casa em que reside e 20:000$000, na Fazenda Boa Vista. À Ignácio, a casa com atafona, nas Lombas, onde reside e 20:000$000 na fazenda das Lombas. À Jose Ignácio, um quinhão de campo na data de Camillo, a casa onde reside e 20:000$000 na fazenda das Lombas. À Jovino, a casa de moradia onde reside e 20:000$000 na Fazenda da Boa Vista. À Victorino, a casa onde reside e 20:000$000 na Fazenda Boa Vista. À Odorico, a casa que foi de Henrique Fraga, no campo do Sobrado, 3:000$000 e na Fazenda da Boa Vista 17:000$000. À Silvarina, 15:000$000 na fazenda das Lombas. À Benevenuta, 15:000$000 no campo do Sobrado e casa no mesmo campo havida por Narciso Guimarães. À Maria Jose,  a casa da linha divisória com Santo Antonio da Patrulha e 16:000$000 nos campos do município referido. À Lydia, 15:000$000 na Fazenda da Boa Vista. À Dorothea, 15:000$000 no  campo do Sobrado. À Tereza o crédito hipotecário de João Cardoso Netto e a casa que foi de Inácio Joaquim de Bittencourt e, na fazenda das Lombas 15:000$000. À Felisbina a moradia do Passo das Éguas e a Ilha do Pontal. À Rosalina a casa que foi de Euzébio Cardoso da Silva  e 20:000$000 na Fazenda Boa Vista. À Leocádio, além do gado vacum, ovelhas , éguas e cavalo, [?] somente com o que falta na Fazenda da Boa Vista.
Já no inventário de Serapião aparece um montante de 724:218$852, a ser dividido entre os filhos e sua segunda esposa, Alice Monteiro, conforme sua  última vontade, registrada em  testamento, nesta época restavam-lhe quatorze filhos, pois sua filha Rosalina já havia falecido. A partilha é feita, considerando também, o que ditava o testamento, que previa a divisão de metade de seus bens, por ocasião de sua morte.

Aos vinte e oito dias do mês de outubro de um mil novecentos e vinte e dois, Serapião José Goulart, profere  em voz alta,   na presença de várias testemunhas, o seu testamento. Escolhe neste ato como testamenteiros a seus filhos, como disse ele, em primeiro lugar a Serapião Jose Goulart Filho e a Victorino José Goulart em segundo lugar, conforme documento encontrado no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul( Autos: 111- maço: 3-ano de 1923).

Aos sessenta e sete anos de idade, casado com dona Alice Monteiro Goulart, ele diz ser de sua vontade deixar metade dos seus bens que existirem por ocasião de seu falecimento pela seguinte forma: Entre os demais bens que possui, tem dentro da Fazenda da Boa Vista, localizada no 3º distrito deste município, avaliada em 285:500$000, duzentos e oitenta e cinco contos e quinhentos mil reis, a quantia em campo, somente de 144:779$265, cento e quarenta e quatro contos setecentos e setenta e nove mil e duzentos e sessenta e cinco reis e também casa com galpão e demais benfeitorias avaliada em 2:000$000. Lega toda esta parte de campo e a casa que lhe coube em inventário à sua mulher Alice Monteiro Goulart, a  quantia em campo de 7:000$000, e a casa de moradia com todas as benfeitorias, galpões, piquete e potreiro junto a dita casa. E a seus filhos:  Serapião , Ignácio, Jovino, José, Victorino, Odorico,  a quantia em campo de 17:397.038, dezessete contos trezentos e noventa e sete mil e trinta e oito reis, a cada um. À Leocádio José Goulart  a quantia  em campo de 13:397.037, treze contos trezentos e noventa e sete mil e trinta e sete reis e uma casa de moradia com todas as suas benfeitorias na fazenda que foi de Delfino  Gomes Soares e que a ele testador, houve por compras a herdeiros do dito Delfino. À Benevenuta  e à Maria José  a quantia em campo, de 4:000$000, quatro contos de reis. À Dorothéa , Silvarina e  Thereza a quantia em campo de 2:500.000, dois contos e quinhentos mil reis. À  Rosalina da Silva Goulart casada com Norberto Grandini, a quantia em campo de 2:500$000, dois contos e quinhentos mil reis. E à Lydia da Silva, a quantia em campo de 2:000$000, dois contos de reis.
E todas essas quantias também pela avaliação do inventário de sua primeira mulher Silvarina da Silva Goulart. Que lega e deixa o remanescente de sua metade disponível a seus filhos Serapião José Goulart Filho , Ignácio José Goulart, Jovino José Goulart, José Ignácio Goulart, Victorino  José Goulart, Odorico José Goulart e Leocádio José Goulart, em perfeita igualdade de legado.
Este testamento é feito por sua consciência e os legados feitos representando uma justa recompensa  do trabalho de cada um dos legatários.”

A filha Felisbina não foi citada em seu testamento, mas herda juntamente com os irmãos, na partilha dos bens inventariados.

Atualizado em 21/10/2015.
Fontes primárias:

Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul
Testamento de Victorino Jose Goulart- Provedoria- Viamão- autos nº.:59- ano:1894
Inventário de Victorino José Goulart- Provedoria- Viamão – autos nº.:14- ano:1894
 Inventário de Silvarina- Provedoria- Viamão – autos nº.:39- maço: 2- ano de 1921 e 1923
Testamento de Serapião José Goulart-Provedoria- Viamão- autos nº.: 111- maço: 3-ano de 1923

*** correção : havia colocado um valor de 31:853$667, revendo o testamento, vi que o valor correto é de 51:706$467
*** Correção: a de falecimento de Silvarina  foi  11/08/1921  e não 1920, como estava anteriormente.
Sou pesquisadora, graduada em História, em 2008, pela Universidade Luterana do Brasil. Em parceria com Jaime de Abreu Rocha, médico, pesquisador,  residente no Rio de Janeiro, pesquiso várias família viamonenses, dentre elas, os meus ascendentes das famílias Guimarães e Goulart.

10 comentários:

  1. Me chamo Ana C Goulart da Silveira, sou tataraneta de Serapião José Goulart.Nasci em Porto Alegre mas fui criada por meu avô José Goulart Sobrinho em Estiva município de Viamão.Meu avo era conhecido como Zeca dentista.
    Abraço,
    Ana

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    1. Ana, se tiveres, mais informações, e quiseres compartilhar, pode nos enviar por e-mail: ani.gui1965@gmail.com

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    2. ME CHAMO ENI ROSANE LIMA FERREIRA, FILHA DE ENY ALVANDIR GOULART FERREIRA, MEU BISAVÔ: POMPEU VAZ FERREIRA E BISAVÓ DOROTHÉA BISAVÓ, SERAPIÃO É MEU TATARAVÓ

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    3. SOU BISNETA DA DOROTEA GOULART FERREIRA,,FOI ELA QUE ME CRIOU DESDE UM ANI DE IDADE SOU FILHA MAIS VELHA DE SEU NETO ALVANDIR GOULART FERREIRA,,SERAPIÃO E SILVARINA ERAM MEUS TATARAVÓS [SANDRA E FERREIRA]

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  3. Eu também sou tataraneta do Serapião. Moro em Viamão. Sou neta de Olga Abreu Goularte Guimarães (neta dele). A mesma foi casada com Osvaldão Guimarães. Jana Dresch

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  4. Eu também sou tataraneto. meu nome é Carlos sou de Viamao. filho de Maria Leila , neto de Oracina Goulart mulher de Jose Luiz Correa. sou bisneto de Serapiao Jose Goulart filho. e sou filho do bisneto de Serapião (Oracy Goulart Correa ).

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  5. Minha mãe Nelly Goulart Pinheiro é filha de Galdino josé Goulart e neta de Sarapião José Goulart Filho e bisneta de Sarapião josé Goulart, hj mora em Nova Hartz, eu Claudeth Kautzmann sou tataraneta de Sarapião José Goulart; como faço p/ conseguir uma cópia da história da família Goulart??

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  6. OI MEU NOME É JOSIANE SOU TATARANETA DA FELISBINA FILHA DELE, BISNETA DA BONIFACIA NETA DELE, NETA DA THEREZINHA DE LOURDES SILVA DA SILVA E DO SERAPIÃO GOULART DA SILVA BISNETOS DELE. E FILHA DE MARIA DE LOURDES TATARANETA DE SERAPIÃO JOSE GOULART.

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  7. Bom dia , Sou José Vicente Goulart, filho de Alvandir José Goulart e OLga Irene Ribero Goulart, neto de Victorino Jose Goulart e Dorothea de Abreu Bittencourt Goulart, sou bisneto do Serapião , estou montando a arvore genealógica da família já cheguei até a sétima geração, posso compartilhar os dados que tenho e gostaria de mais informações para continuar a minha pesquisa.

    abraço..

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